DIÁLOGO POÉTICO A poem for María del Águila
Dizia um poeta ao outro: O que mais quero
é voltar a dinamitar as utopias rebeldes.
Aquelas em que o poeta vivia o doce fruto da imaginaçäo
levando consigo arebalde todos os abstáculos temiveis
de adversidade, a bandeira branca da liberaçäo pessoal
sustentada pelo mastro da inspiraçäo individual.
Porque o que näo pode resplandecer aos olhos
é certo que resplandece o coraçäo.
Disse-lhe o outro: Veja o mundo, é uma imensa prisäo
donde os passaros podem voar, mas näo tem para onde irem.
A verdadera liberdade é aquela que descobrimos nos pequenos
espaços o homen só pode consederar-se em grilhöes:
Quando sua capacidade de pensar estiver limitada
tanto no tempo como no espaço. Eis ai a única prissäo.
Voltou-se o primeiro para o outro e disse: Sou livre porque
trago na poesia o extrato que extráio da substância sublime da vida.
O que em realidade é só fantasia e sonhos.
Indagou o segundo poeta dizendo: Que diria os imortais
se se os estóicos idólatras redarguisse a isto?
O homen é o conteúdo supremo e a essência de toda realeza
de sua propria existência.
Respondeu o poeta: Näo diria senäo de ti iconoclasta
inverossimil a todas utopias herdadas de uma sífilis contagiosa
ou de uma peste perniciosa no sangue e na carne
transmitida de geraçäo a geraçäo.
A liberdade maior é a descoberta de que sempre há uma
Liberdade consoladora, tanto para o tempo como para o espaço.
Gritou o segundo poeta exaltado.
Seria melhor concordar com Ronald de Carvalho:
A realidade é apenas um milagro de nossa fantasia
Respodeu o poeta serenamente.
Voltaram os dois poetas para mim, e perguntaram o que tenho a dizer.
Disse-lhes: Sairei para fora deste quarto e vou para o pátio.
Indagar os montes como fez o Rey David no Salmo 121.
E perguntei ao sol no oriente quem lhe deu tamanho brilho.
Respondeu-me : Aquele mesmo ser que te prendou estes olhos que
me avistam e adimiram. A mesma pergunta que fez outro.
E concordei tambem como primeiro poeta: O que näo pode resplandecer
aos olhos, é certo que resplandece no coraçäo.
Marcos Jasiassu Amaro, de origen brasileño, por cuestión de drogas recluido en el penal de Tucson, Arizona 1985. Había leído mi poesía. Nunca llegué a conocerlo personalmente.